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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Clichês: Yaoi


People! I return!
Olá a todos e sejam bem-vindos ao mais novo post aqui do Dicas.

Hoje vim falar de histórias gays. Yaois para falar a verdade.

Vou começar falando que nem sempre um clichês é algo ruim, repreensível e que você nunca deve usar um deles na sua história. Os clichês podem ser úteis em infinitas situações e até se encaixarem perfeitamente no texto, principalmente se o autor souber usar.
Como já mencionei acima, nesse post será focado os clichês do gênero yaoi.

Yaoi, para quem não sabe, é uma palavra em japonês que se refere a histórias, animes, fanarts, etc., com conteúdo homossexual (homem/homem). É equivalente a boy's love (BL), termo que também classifica histórias do gênero, e slash, termo mais usado em fanfics estrangeiras. Um gênero muito popular entre o mundo das fanfictions e mesmo entre escritores publicados, talvez também por conta disso, é alvo da criação de toda uma variedade de clichês.


Seme homem, uke mulher: para quem não sabe, seme é o termo referente em japonês ao ativo na relação. Uke, por sua vez, é o passivo.

Embora obviamente sejam homens na história, muitos escritores têm uma tendência a fazer essa associação. O seme é o machão, aquele que nunca chora, que é grosso, que não demonstra seus sentimentos. E, é claro, o ativo durante o ato sexual. Já o uke é emotivo, doce, muitas vezes tímido; é aquele que cora, que chora, que suspira apaixonadamente.

Acredito que isso aconteça, entre outras coisas, pelo motivo original da difusão do gênero no Japão. As mulheres de lá, reprimidas, vivendo numa sociedade bastante machista, acabaram vendo no yaoi uma forma de narrar histórias de amor, românticas de um modo geral, mas nas quais ambas as partes se tratassem de igual para igual. Isso explica por que os ukes nos mangás quase sempre possuem traços femininos físicos e de personalidade. No entanto, apesar de ser menor, mais delicado e sensível que o seme, na relação está numa posição de poder equivalente à dele, não abaixo.

Contudo, apesar da justificativa louvável dessa representação, ela raramente reflete uma situação real na história, seja em mangás ou fanfics. Vira uma relação quase heterossexual, na qual o uke é uma mulher com um pênis.


"Ele beijou seu peito branco e lisinho...": homens totalmente sem pelos. Quem nunca viu um, não é? Acho que essa é mais por conta de uma idealização que as pessoas têm especialmente com o uke, já que "ele é a mulher". Peito liso, barriga lisa, vi até histórias em que eles não tem pelos nas pernas. Gente, que isso? Essa é a questão de bom senso. Homens têm muito pelo, inclusive em lugares que prefiro não comentar.
"Mas, Ana, o meu PP se depila!". Aí tudo bem, aceito, mas duvido muito que todos os caras de todas as histórias yaoi depilem. Francamente.


Fulano é seme, Ciclano é uke: e isso nunca muda. A maioria das histórias tem isso como verdade, até por causa do primeiro item, e aí as atitudes, falas, tudo do personagem fica condicionado a isso. O seme nunca pode chorar, porque isso não é do feitio dele, tem sempre que se mostrar forte, duro, coisas que o uke não pode ser.
O nome do casal muitas vezes é definido com base nisso, vindo o nome do seme primeiro e, mesmo durante o lemon, essa "hierarquia" se mantém inalterada. Tem gente que até repudia autor que troca as posições do casal, porque isso é errado, porque é estranho, porque é inimaginável ver Ciclano como seme.
Gente, sério. Nem vou comentar sobre um relacionamento gay real, que não funciona bem assim, porque o foco é mais nas histórias. Mas a verdade é que rola até um preconceito de leve nesse clichê. O cara que é a "mulher" está privado, a partir daí, de ser o "homem" e fim de papo.


"O menor o olhou quando o maior fez que sim": esse acontece em fanfics em geral, mas é mais frequente em histórias yaoi (acredito também que a ideia tenha sido disseminada a partir delas). Ninguém precisa fazer toda e cada frase citando os nomes das personagens quando for se referir a elas mas muitos autores criam tantos nomes alternativos que acabam substituindo os nomes reais com eles e a história fica confusa.

"O menor não gostava de ver o maior daquele jeito."

"O loiro avistou o moreno ao longe e acenou."

"O de olho azul piscou e o de tranças riu."

Não dá para imaginar decentemente a história assim, sério. Ainda mais se for num lemon. Esses adjetivos complicam, não ficam visualmente bonitos e não são muito explicativos. E se a pessoa não conhecer bem o fandom para saber que personagem é menos que o outro? E fica sem entender nada da história.
E nem vou comentar o fato de "o menor" sempre ser o uke e "o maior" o seme, porque ai voltamos outra vez ao primeiro item.


Todo mundo é gay: em boa parte dos yaoi, por algum motivo, todo mundo é gay. O uke é gay, p seme é gay (óbvio), o amigo do uke é gay, o primo do seme é gay, o cara da padaria onde eles foram comprar pão é gay. Não vejo sentido nenhum nessa. Sua fanfic pode ser num internato, num hotel, num hospital, mas não existe nenhuma pessoa heterossexual, bissexual que seja? Bom senso, bom senso.
E isso já é tão intenso entre as fanfics yaoi que, às vezes, quando aparece um personagem masculino novo na história, os leitores já assumem que ele é gay. Ou tem que ser. Precisa ser! E se o seme ou uke tem um irmã? Incesto já!
Cadê as mulheres normais? (fora o fato de praticamente não existirem, porque, além de todo mundo ser gay mulheres em fanfics yaois são banidas da face da Terra) As personagens femininas da história se encaixam em três categorias: a fujoshi, a lésbica e a vadia-que-vai-atrapalhar-o-yaoi-e-todo-mundo-vai-odiar. Acho bem irreal, já partindo da primeira. Nada contra fujoshis (até por que eu sou uma e não posso e nem quero fazer nada para mudar isso), mas tem sempre aquela personagem que vê os amiguinhos se pegando no yaoi e pira. Sai gritando, falando coisas inapropriadas, fazendo apologia em fanfics.
Ou então a menina lésbica. Porque é uma consequência, o cara é gay, a amiga dele tem que ser lésbica. Só assim para a personagem entender as coisas, só assim para ela aceitar.
E, por último, tem a personagem feminina que só está lá para causar na história e fazer todos os leitores a odiarem até o fim dos tempos porque ela "atrapalha o yaoi". Às vezes ela nem atrapalha, mas só o fato de ter uma garota na história e não um cara (gay) é motivo suficiente para ela ter o ódio eterno e declarado de todo mundo.
E 95% dos leitores/autores de yaoi é mulher! Lógica, onde está você?


Que falta de preconceito: ainda no meio da realidade alternativa em que se passa a maioria das fanfics yaoi, é muito comum se deparar com esse item. O casal fica junto, se pega na rua, entre amigos, num jantar de família e todos estão okay com isso. Claro que seria lindo se as coisas fossem assim de verdade, mas é uma ideia tão utópica que chega a ser desconcertante.
Nem todo mundo aceita homossexualidade. É um tema polêmico, como religião, política, e deve ser tratado como tal. Sua história pode não se focar nisso, não chegar nem perto, mas daí se inserir num universo cor-de-rosa em que ninguém tem preconceitos. É quase como quinto item, no qual todo mundo é gay.


E quando tem incesto? Um mundo que aprove homossexualidade cem por cento é aceitável perto de um que aprova inteiramente incesto. Quer dizer, chega a ser crime em alguns países. Por que fazer isso com a sua história? O conflito pode deixá-la mais interessante, mais densa, mais atraente de um modo geral. E uma dose de realidade não faz mal a texto algum.


Existem outros clichês (infinitos deles), mas esses foram o que eu considerei piores. Repito que não tem problema usá-los em seus textos, quem lê mangás publicados mesmo ou assiste a animes com certeza já presenciou os sete ao menos uma vez. A questão é, como quase tudo na escrita, tem que saber dosar esse uso.

Isso foi tudo por esse post.
Até o próximo.
Beijos da Ana.

domingo, 26 de julho de 2015

Plot Twist: Enganar e Cativar

 Eu sou seu pai.

O texto contém grandes spoilers. No entanto, eles estão marcados em branco. Para lê-los, basta selecioná-los com o mouse. Só sugiro que faça, caso já tenha lido o livro/assistido ao filme.

"Plot Twist" (plot = enredo/twist = torcido), traduzido literalmente como reviravolta, é um elemento narrativo usado para surpreender os leitores/expectadores.
A wikipedia define Plot Twist como: "[...] uma mudança radical na direção esperada ou prevista da narrativa de um romance, filme, série de televisão, quadrinho, jogo eletrônico ou outra obra narrativa. É uma prática muito usada para manter o interesse do público na obra, para normalmente surpreencê-los com uma revelação."

"Mas como eu uso o Plot Twist em meu texto? Só há uma maneira?"

Claro que não.

Existem vários métodos de introduzir um Plot Twist em uma narrativa. Por falta de didática melhor, acredito que a melhor forma de explicar as diversas formas seja enchendo esse post com inúmeros exemplos. Eles obviamente virão acompanhados de spoiler, a fim de ilustrar da melhor forma possível.

Então peço desculpas desde já, e aviso que os spoilers estarão invisíveis (para ler o spoiler, basta selecionar o texto entre aspas com o mouse).

1) Plor Twist ao fim da narrativa

O tipo de reviravolta que todos conhecem. Nesses casos, o grande clímax da história está justamente em um grande fato ou acontecimento. Ele determinará o fim da história, e é por meio desse grande final que conhecemos obra que ficaram eternizadas.

~Spolers - Clube da Luta (filme de David Fincher)~

"Quem já assistiu sabe que no fim da história descobrimos que o Tyler na verdade era uma projeção do próprio ack, devido suas noites insones e problemas psicológicos.
Mas, o Plot Twist da história se revela apenas ao fim, quando Jack passa a rever todos os acontecimento pela sua ótica, e se vê segurando a arma que Tyler apontava para ele. Naquele momento, é tarde demais para conter o grande plano de Tyler, que acaba ocorrendo. Mas fica subentendido que o romance entre Jack e Marla foi levado a frente - isso é, se ele não foi preso e sobreviveu."

Sendo assim, podemos dizer que a marca registrada desse tipo de elemento narrativo, quando executado da forma acima citada, é a surpresa que só afeta aquele pequeno período de tempo. Nós não veremos o que irá acontecer depois, porque o depois não importa. O choque imediato é suficiente para que qualquer dúvida se torne algo de segundo plano.

2) Plot Twist no início/meio da narrativa

Estamos acostumados a ver reviravoltas acontecerem no final, mas esse tipo de Plot Twist muito me interessa por sua peculiaridade. Diferentemente do que se espera, a história é narrada bem até determinado ponto e depois ainda tem que lidar com os resultados - imediatos e a longo prazo - de sua mudança.

~Spoiler - A favorita (novela de João Emanuel Carneiro)

"Aqui temos duas protagonistas: Flora e Donatella. Por mais de dois meses de novela (exatamente 59 capítulos), o público foi induzido a pensar que Donatella tinha cometido um crime e estava pagando por seus pecados na cadeia. Mas no capítulo 60, eis que surge a magia do twist.
Foi na verdade Flora quem cometeu o crime, e a missão de Donatella passa a ser desmascarar a vilã e reconquistar sua filha, que acabou ficando sob a tutela de Flora enquanto Donatella esteve na cadeia."

O mais legal nesse tipo de reviravolta, é que ainda temos mais da metade dos acontecimentos pela frente. Sendo assim, o autor praticamente desenvolve duas tramas. Além do mais, Plot Twist aqui não serve para dar fim a uma sucessão de fatos, mas para desencadear uma série de novos problemas que deverão ser solucionados até o fim da jornada.
Ou seja, usar a ferramenta do Plot Twist no meio da história é mais para "animar" o público, dando a eles a sensação que a história não é previsível e que muita coisa ainda pode acontecer dali pra frente.


Ainda existem algumas subclasses para os twits:

A) Cronologia reversa: a história, nesses casos, começa justamente pelo seu final. Sendo assim a curiosidade é plantada no "como" a situação prosseguiu até que se chegasse a esse ponto e não no "porquê".

Ex: "Em "Memórias póstumas de Brás Cubas" temos o narrador protagonista contando sua história até que chegasse a morte. Mas ele avisa o leitor logo no início que ele já estava morto."

B) Red herring (ou "distração): usado principalmente em romances policiais, é a reviravolta que pega a todos desprevinidos, pois planta pistas falsas ou oculta informações primordiais para a solução do mistério.

Ex: "Em "Os Outros", vemos uma mãe desesperada com a casa cheia de fantasmas. Durante todo o filme tentamos entender de onde vêm os espíritos e o que fazer para afastá-los. Até que para surpresa geral, na verdade a Nicole Kidman, seus filhos e empregados que estavam mortos. Chocante."

C) Flashbacks: esses aqui são mais do que conhecidos. Usado por 9 em cada 10 ficwriters (e aqueles que nunca usaram, ainda vão), são a melhor forma de justificar uma personagem. Trazendo o que já sabemos de flashbacks para a mecânica do Plot Twist, nesses casos, apenas uma cena do passado é suficiente para mudar todo o enredo futuro.

Ex: "Em "Titanic", o objetivo principal do filme é achar o maldito diamante que todos achavam que tinha se perdido para sempre na imensidão azul. Claro que tudo foi esquecido a partir da primeira cena de Jack e Rose. Até que já estamos nos anos 90 e, de repente, somos transportados de volta a 1912, onde vemos Rose mexer em seu bolso e achar o diamante. Uma cena tão sutil que mudou o rumo da história (para os telespectadores, é claro, já que não faz muita diferença para aquele cara que gastou milhões procurando uma pedra para desistir quando ela finalmente foi lançada ao mar)."

D) Narrador não-confiável: ele está narrando a história em primeira pessoa, então é a única fonte de informação do público. O choque da reviravolta aqui é salientado pelo narrador se dar muito bem/muito mal, mesmo não merecendo. Afinal de contas, ele manipulou toda história a seu favor, deixando difícil para os leitores decidirem o que realmente acham de sua índole.

Ex: "Em "Dom Casmurro", deveríamos ler apenas uma história cotidiana de romance, que virou uma tragédia devido à "infidelidade" de Capituu. Contudo, o narrador da história é o próprio Bento, e nunca ficamos sabendo se ele estava mentindo ou não"

E) Chekhov's gun: é um princípio narrativo que diz que tudo que é colocado em uma narrativa tem um propósito. Em meio a um Plot Twist, o chekhov's gun pode ser qualquer elemento (desde uma personagem até um objeto), que iá ser relevante para o clímax da história.

Ex: "No filme "Um porto seguro" temos a personagem Jo, que se torna amiga de Erin. As duas ficam cada vez mais próximas, e Jo passa a dar várias dicas de relacionamento para que Erin perca seu medo e Alex e ela sejam felizes juntos. No fim descobrimos que Jo é a falecida esposa de Alex, que tirou férias do céu e permaneceu por ali só para ter certeza de que seu amado e filhos teriam um bom futuro."

*(não li o livro, então não posso dizer se a narrativa se repete)

F) Descoberta: a última e não menos importante subcategoria do Plot Twist é a descoberta (ou anagnórise). Nesse caso, a personagem faz uma descoberta sobre si (ou de outro personagem) que muda o rumo da narrativa.

Ex: "Em "O sexto sentido" Bruce Willis está morto. O filme inteiro. O que difere, no entanto, com o Plot Twist Red Herring demonstrado em "Os outros" é o fato de que a narrativa girava em torno do menino, Cole. Então a descoberta nos faz ver que o protagonista nunca foi Cole, e sim Malcolm (por protagonista, falo daquele que precisava "fechar" um ciclo). Claro que temos algumas dinâmicas Red Herring (de deixar pistas soltas que indicavam a morte do psicólogo), mas o choque nesse caso é justamente a mudança súbita da natureza do protagonista."


Ótimo, agora eu tenho muitas referências. Mas como eu utilizo essas dinâmicas no meu texto?

Não existe uma fórmula mágica que faça Plot Twists funcionarem. O grande segredo para uma reviravolta ser bem executada, é ela ter coerência e casar com o texto.
Com isso quero dizer: não force a barra para usar um Plot Twist. Criar uma história mirabolante só para inserir uma ideia que cause choque no leitor não é uma boa ideia.
Além do mais, fazer de Plot Twist uma assinatura sua pode tornar-se, por incrível que pareça, previsível demais.
Um exemplo simples que nem chega a ser um spoiler: George R. R. Martin adora matar suas personagens. O primeiro "protagonista" que morreu causou um tremendo choque e comoção. Mas agora, mesmo ferindo sentimentos alheios, as mortes são apenas o caminho necessário para o decorrer da narrativa. Ou motivo para piada no Facebook. De qualquer forma, aquele choque que sentíamos dos primeiro livros/temporadas de Game os Thrones, agora já passou.
Temos também o diretor de cinema Shyamalan. Depois de "O sexto sentido", vimos "Sinais" e "A vila" serem vendidos como filmes de finais surpreendentes. Mas basta perceber como ambos não geram polêmica pelos seus finais para saber que eles talvez não tenham surpreendido tanto assim.

Conclusão

Reviravolta é um elemento que pode lançar sua narrativa para o sucesso. Tendo um bom enredo e um final surpreendente, é quase impossível a história não receber comentários positivos.
O problema é que a única forma de saber o que funciona e o que não funciona é testando.

Espero então que toda a informação acima auxilie vocês na hora de escolher o tipo de Plot Twist que mais se encaixa com sua história.
Isso é tudo.
Até o próximo post.
Beijos da Ana.

domingo, 19 de julho de 2015

O que é fanfic?

1) Definição e surgimento das fanfics:

O termo fanfic se trata de uma abreviação de fan fiction (ou fanfiction), designado a ficção feita por fã, sem caráter comercial ou lucrativo, a partir de uma determinada história criada por terceiros. As proposições de que parte o escritor (ou ficwriter) para criação de uma fanfic são infinitas, podendo ser a justificativa de um aspecto da história "original"; a alteração de certos acontecimentos e desfechos, dentre infinitas outras.
Da mesma forma, o "universo original" que serve de cenário (ou fandom) para um fanfic pode ser qualquer um e pertencer aos variados âmbitos, como séries de televisão, animes, bandas, novelas...

Com relação  aos direitos autorais, de modo geral, considera-se que escrever uma fanfic não constituí uma violação de propriedade intelectual desde que a obra não seja comercializada e nem vise lucro. Ainda assim, juristas recomendam que o ficwriter acrescente no início do texto uma pequena nota legal declarando quem realmente é o detentor dos direitos autorais, além de esclarecer que a história em questão não pretende obter qualquer forma de ganho financeiro.

Pense que as fanfics sejam tão antigas quanto a própria ficção, originando-se por meio do simples ato de uma pessoa escrever à mão um final diferente para sua história preferida. Entretanto esse fenômeno explodiu nos anos 60 com o advento das séries de televisão (creio eu, norte-americanas) que terminou por ganhar seguidores cult. Nina Neivane no site sosficwriter, aponta também a existência de histórias feitas por fãs partindo do universo Sherlock Holmes que remonta o fim do século XIX - lembrando que o primeiro romance sobre o detetive é publicado em 1887.

De toda forma, a disseminação das fanfictions é, maiormente, associada à Star Trek. Jane Harmon, no site wisegeek,com, afirma que as reuniões de fãs de Star Trek propiciaram o compartilhamento dessas histórias originalmente mimeografadas ou feitas à mão (como fanzines, ou zines).

Não há dados concretos sobre o aparecimento das fanfics no Brasil. Acredito que o fenômeno tenha se consolidado com a exibição de Cavaleiros do Zodíaco, em 1994, pela Rede Manchete. Inclusive, algumas revistas, como a Herói (1994) e Heróis do Futuro(1995), chegaram a publicar histórias de fãs em seus números, à exibição de Sailor Moon, em 1996, também pela extinta Manchete. Os grandes responsáveis por essa promoção podem ter sido sites como os Moonies (encerrado) e o S.O.S. Sailor Moon, que disponibilizavam, em meados de 1998, os arquivos em doc.

2) Tipos de fanfics:

É difícil classificar qualquer texto ficcional contemporâneo, sabendo que este se apresenta como uma mistura de vários gêneros. No caso das fanfic, isso é amplificado enormemente, sendo a mistura parte de sua natureza, tendo em conta que o autor mescla uma história original a um contexto pré-estabelecido, faz a junção de universos completamente diferentes (criando uma única história baseando-se nos cenários de Harry Potter e Crepúsculo, por exemplo) cria novos personagens que interagem com aqueles que já fazem parte história "original", estende a participação de certos coadjuvantes, modifica o enredo, a estrutura e linguagem das histórias utilizadas como ponto de partida. Ainda assim, eu, assumindo a responsabilidade, arriscaria a "abrigar" as fanfics entre o gênero narrativo e dramático, dada sua estruturação em narrar acontecimentos e a ênfase demasiado forme nos diálogos, na construção pormenorizada das imagens que configuram o ambiente e na progressão dos fatos.

Posso perceber que essas histórias, escritas por um público heterogêneo, foram se estruturando e se subdividindo de maneira quase empírica, grosso modo, distantes das classificações tradicionais. Dessa forma, a classificação das fanfics segue uma lógica diferente, misturando conceitos tirados do universo mangá/anime, da cinematografia e das classificações norte-americanas de cunho indefinido. Visto isso, as fanfics se categorizam da seguinte forma:

A) Quanto a extensão:

I. Drabble: Fanfic escrita com 100 palavras.
II. Double Drabble: É uma fanfic com, no máximo, 200 palavras.
III. Oneshot: Fanfic que contém somente um capítulo (one-shot: um-tiro - por ser uma leitura rápida), seja ele curto e postado de uma só vez ou londo e postado em partes.
IV. Shorfics: Fanfics breves, escritas em poucos capítulos.
V. Logfic;Saga: Fanfics longas, escritas em muitos capítulos.

B) Quanto a estrutura:

I. Canon: Fanfics que seguem o "cânone", ou seja, fiéis à "original", principalmente em termos de caracterização de personagens e manutenção dos casais (ou shippings).
II. CrossOver: Fanfics que se misturam universos (fanfoms) diferentes. Ex: Pokémon/Digimon, Harry Potter/Star Wars.
III. PWP (Plot? What plot?): "Enredo? Que enredo?" Esse tipo de fanfic não tem muito enredo, dando prioridade às cenas de sexo.
IV. Side Story: Fanfics curtas que explicam um fato ocorrido em outra fanfic, como uma especie de "bônus". Trata-se de um capítulo que não se encaixa no meio da história original.
V. Songfic: Fanfics escritas acompanhadas de letra (e/ou tradução) da música, escolhida pelo(a) autor(a) como trilha sonora.. Geralmente seu gênero é drama e são Oneshots ou Shorfics.
VI. TWT (Time? What time?): Histórias que não seguem um tempo cronológico.
VII: Darkfic/Angst: Fanfics abundantes em cenas depressivas, atmosferas sombrias e situações angustiantes. É o contrário das fanfics definidas pelo termo "waaffy".

C) Quanto a temática:

I. Amizade: Fanfics sobre amizade em geral.
II. Citrus: FaNfics sobre romance adulto; pode ou não conter cenas de sexo.
III. Femslash/Yuri: Fanfics sobre relacionamento homossexual feminino.
IV. Lolicon: Fanfics sobre romance entre uma mulher mais nova e uma mulher/homem mais velho(a) - termo deriva da estória "Lolita".
V. Shonen-ai: Fanfics sobre relacionamento entre homens, geralmente platônico.
VI. Shoujo-ai: Fanfics sobre relacionamentos entre mulheres, geralmente platônico.
VII. Shotacon: Fanfic com romance entre um homem/mulher mais velho com um menino.
VIII. Slash;Yaoi: Fanfic cujo tema principal concentra-se na relação geralmente amorosa entre dois homens. "Slash" é a palavra em inglês para "barra".

D) Quanto a avisos:

I. Bondage: Quando ocorre na fanfic imobilização de um dos parceiros para satisfação sexual.
II. Deathfic: Onde pelo menos um personagem principal morre.
III. Fanon: Indica a presença de ideias já propagadas em outras fanfics e que se tornaram tão populares quanto a obra original.
IV. Fetichismo: Atração por peças de roupas, objetos ou determinadas partes do corpo.
V. Hentai ou Restrita: Fanfics com cenas de ita: Fanfics com cenas de sexo (explícitas).
VI. Lemon: Fanfic com cenas de sexo homossexual, entre homens, explícito.
VII. Orange: Fanfic com cenas de sexo homossexual, entre mulheres, explícito.
VIII. Lime/Ecchi: História com cenas de sexo implícito, tanto entre caais hétero quanto homossexuais.
IX. NCS (Non Consensual Sex): Quando ocorre uma relação sexual sem o consentimento total de um dos parceiros.
X. OC (Original Character): Quando a fanfic possui algum personagem criado pelo autor da fanfic.
XI. OOC (Out Of Character): Quando o personagem age de forma diferente do habitual.
XII. SM:  Fanfic com cenas de sadomasoquismo.
XIII. Threesome: Fanfic com cenas de sexo entre três pessoas.
XIV. Dark Lemon/Orange: Fanfics com cenas de sexo homossexual com violência explícita, geralmente estupro.

E) Quanto ao estilo:

I. Fluffy/waffy: Fanfic extremamente açucarada. Chega a ser mais do que um romance, onde os personagens são carinhosos.
II. Doujinshi: Normalmente, o termo se refere a mangás/fanzines de artistas não profissionalizados, podendo conter tanto histórias originais quanto baseadas em um mangá ou um anime da moda. Entretanto, escritores de fanfics que se dedicam em criar histórias inspiradas em animes e mangás classificam seus trabalhos como doujinshi, mesmo quando é apenas texto e não possui ilustrações, o que configura uma classificação arbitrária
III. Mary Sue: Alguns tipos de fanfics são chamas por Mary Sue por possuírem um formato mais "açucarado", marcado por um tom melodramático e apelativo. O nome do estilo é uma homenagem á Tenente Mary Sue, uma personagem de fanfics de Jornada das Estrelas dos anos 80 que definiu o arquétipo da personagem perfeita altamente idealizada. Também são chamadas de Mary Sue (ou Gary Stu, na versão masculina) as fanfictions onde a personagem principal é completamente inatingível.
IV. R.A. (Realidade Alternativa): Quando a fanfic é escrita com os mesmo personagens e locais daqueles criados pelo(a) autor(a) original, porém, um dos fatos mudam.
V. SAP (Sweet As Possible): Significa: tão doce quanto possível. Trata-se de uma fanfic açucarada, mas não ao ponto de ser Mary Sue.
VI. Self Inserction: Quando o ficwriter (escritor) participa da trama, interagindo com os personagens.
VII. U.A. (Universo Alternativo): Quando a fanfic se passa em um mundo diferente daquele criado pelo(a) autor(a) original da série, mas utilizando os personagens já existentes na história, na maioria das vezes buscando não alterar as características físicas e psicológicas da personagens.
VIII. What If: O que aconteceria se a história tomasse um rumo diferente.

F) Quanto ao gênero:

I. Ação.
II. Aventura.
III. Comédia.
IV. Drama (certamente redundância com a estrutura darkfic/angst);
V. Fantasia.
VI. Ficção Científica.
VII. Furry: História em que há presença de personagens animais humanizados.
VIII. Humor Negro.
IX. Mistério.
X. Suspense.
XI. Terror.
XII. Romance.

G) Outros:

I. MPREG: Male Pregnant. Fanfic onde personagens do sexo masculino tem a capacidade de engravidar.
II. Voyeurism: Quando se observa alguém com objetivo de obter satisfação sexual.

Em verdade há uma terminologia muito mais ampla do que essas, entretanto, muitas das terminações são redundantes em reação às que já foram mencionadas. Dessa forma, a lista que apresento está mais "enxuta" e mais oportuna para a classificação das fanfics, sem perder o caráter das nomenclaturas inerente ao "subgênero".

3)"Originais":

Não sei se em todos os sites especializados em fanfics é possível notar que há uma categoria especial para as fanfics denominadas "originais". Denominadas por muitos apenas como "fics" em lugares de fanfics, essas histórias não são baseadas em nenhum fandom, configurando-se criações desse público também autor de fanfics.
É um fenômeno curioso, pois, nesse caso, não se está olhando para o fato de que uma fanfic se baseia em uma criação de fãs a partir de uma obra já existente, mas para o fato de os criadores desses originais não visarem qualquer forma de lucro com a história escrita, ampliando, assim, a noção do termo fanfic.


Isso é tudo por este post.
Até o próximo.
Beijos da Ana.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Como escrever um prólogo

O começo de tudo



O prólogo é um elemento bastante comum em livros e também em fanfics, por isso vou falar um pouco sobre ele e aproveitar para esclarecer algumas dúvidas sobre como escrever um prólogo.

Antes, vamos saber o que significa prólogo: a palavra tem origem no latim (prolugus - o que se diz antes) e significa 1) o primeiro ato de um drama em que se representam acontecimentos passados antes da ação principal; 2) testo que acontece a parte principal de uma obra literária; 3) parte inicial de um acontecimento.

O termo foi usado originalmente na tragédia grega, para caracterizar a parte anterior à entrada do coro e da orquestra, na qual se enuncia o tema da peça. Graças a essa ideia de "o que se diz antes", o termo passou a ser usado na teoria narrativa para designar o texto que precede ou apresenta uma obra.
Deste modo, podemos concluir que o prólogo sempre virá antes de qualquer elemento textual da história, por isso muitos autores também o chamam de paratexto. Vale lembrar ainda que prefácio e prelúdio são sinônimos de prólogo. O prefácio, neste caso, também tem um importante papel na relação do autor e do leitor (ou espectador) de uma obra. Sendo uma introdução a ela, se torna um elemento que apresenta não só a obra em si, mas também o olhar que tem o autor sobre ela.

O prólogo pode ou não ser uma parte da história.
Mas como assim?

Bem, o uso mais comum do prólogo é apresentar a história que se pretende contar ao leitor. Lembram-se de "A menina que roubava livros"? No prólogo, Markus Zusak coloca o leitor em contato com a inusitada narradora, mais o mais importante nesse prólogo é que ele dá ao leitor um vislumbre da obra que se segue e do estilo de escrita e narrativa do autor.

Um autor pode usar o prólogo para mostrar uma cena que acontece antes da história propriamente dita começar, e, com isso, causar curiosidade no leitor. Esse tipo de prólogo é muito comum nos livros de Dan Brown. "O Símbolo Perdido" começa exatamente assim, durante um ritual misterioso, o autor nos apresenta ao vilão da história sem, contudo, entrar em muitos detalhes.

Ele também pode mostrar uma cena adiante, uma espécie de clímax para o qual pretende levar sua história, como acontece em Crepúsculo.

Pois bem, meus caros amigos, nos exemplos acima, o prólogo é parte da história, mas nem sempre isso acontece. Há autores que preferem usar esse espaço preliminar para conversar com o leitor. Isso mesmo, uma espécie de tête-a-tête. Um escritor que gosta muito desse tipo de prólogo é o Stephen King. Em vários de seus livros ele usa o prólogo para contar ao Leitor Fiel algo relevante sobre a criação da obra em questão. Nos livros da séria "A Torre Negra", por exemplo, ele divaga tanto sobre o processo de escrita que, quando você vai começar a ler o livro propriamente dito, já se sente íntimo do autor.

Agora que nós já sabemos o que é um prólogo, para que serve e como aparece em uma história, você deve estar se perguntando, como eu escrevo um prólogo para a minha fanfic?

Em primeiro lugar, pondere sobre a relevância deste prólogo para a sua história. Será que ele é mesmo necessário? Lembre-se de que o prólogo é um elemento opcional, logo, se você quer apenas dar um ar profissional à sua fanfic, não vai ficar legal usá-lo.

Segundo, o prólogo não deve ter tratado como o primeiro capítulo da fanfic. Isso pode parecer óbvio depois de tudo que já falei até aqui, mas ainda há muita gente que se confunde e começa a história no prólogo. Isso não deve acontecer. O prólogo é um capítulo extra, deve ter começo, meio e fim determinados. Se você começar uma cena no prólogo, trate de terminá-la, nada de deixar para concluir no capítulo seguinte, com a ilusão de estar criando suspense. E nem pense em colocar a expressão "continua..." no final do seu prólogo. Prólogo não tem continuação.

Terceiro, não escreva a biografia dos seus personagens no prólogo. Você deve apresentar os seus personagens nos capítulos da história, mas também não faça isso como se estivesse respondendo o questionário socioeconômico do Enem.

Mas você disse que o prólogo pode ser usado para apresentar a história.

Sim, amigos, claro que pode, mas mire-se no exemplo do Tio Zusak. Mostre seu personagem em alguma cena que possua significado para a história, mas não necessariamente faça parte dela. Ou ainda uma cena que possa desencadear os acontecimentos que serão o foco da sua história. Por exemplo, suponha que o seu protagonista seja um detetive de polícia e a história será centrada em um dos casos que ele tem que resolver. No prólogo você pode mostrar o momento em que os bandidos estão planejando o assalto.

Quatro, não entregue tudo no prólogo. Lembre-se de que você pode dar uma prévia do que virá, mas não vá mostrar uma cena do seu protagonista morrendo logo no prólogo, muitos leitores não gostam disso.

Finalmente, não escreva um prólogo com muitas palavras. Apesar de não haver um número ideal de páginas/palavras para um prólogo, não é legal fazê-lo muito grande, pois assim você corre o risco de já entrar na história, e vai estar tratando o prólogo como um capítulo normal. Opte por um prólogo enxuto, uma cena curta, mas que seja relevante para a história.

E isso é tudo por este post, espero ter ajudado.
Até o próximo.
Beijos da Ana.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Como escrever uma fanfic

Geralmente quando decide-se que vai escrever uma fanfic é por que já se tem uma ideia de como vai ser a história que você pretende escrever.
Vou dar algumas dicas para ajudar nesse desenvolvimento.


1) Tenha em mente aonde você quer chegar.

Então você se pergunta "o que você quer dizer com isso?", bem quando se pensa em escrever normalmente já se tem um começo e, então, você tem que ter uma ideia do fim. Se você tem o começo e o fim, se tem um objetivo e você sempre perseguirá esse objetivo, já tendo um começo, meio e fim.
O fim não precisa ser do modo que pensou no início, eu mesma já mudei vários finais de fanfics minhas, mas tem que se ter uma coisa em mente: a ideia principal tem que ser a mesma.

Tendo-se o começo e a ideia do final de sua história, tem que escolher o gênero da mesma, então seguimos para:

2) Escolher o gênero certo.

Por exemplo, usando uma de minhas fanfics como base, no começo os dois principais se conhecem em um racha e no final o banco explode e ninguém sabe o que aconteceu com eles. O que se têm? Violência, exato. Ou seja, o gênero da sua fanfic vai ter que ser violência.
Pode ter um meio romântico? Pode. O que não pode acontecer é que no início da fanfic eles se conhecem em um racha e no final o mocinho pede a mocinha em casamento com litros de choro e todas essas outras frescuras. Tem que ter um "balanceamento", no meio ele pode chorar, pedir ela em casamento e mais o que for, mas o final tem que ter o gênero que teve no começo.
Você começa com violência e se termina com violência.
No meio você pode colocar drama, romance, o que quiser, desde que a história tenha um gênero principal e siga o gênero principal.

Após já saber aonde quer chegar com a fanfic e o gênero principal, aconselho à:

3) Faça uma Outline.

O que é uma outline? Explicando de forma simples, são tópicos. Então você pega um pedaço de papel e escreve o seu primeiro tópico e o seu último tópico.
Seguindo o mesmo exemplo:
1- Se conhecem em um racha.
[...]
100- Banco explode e os dois somem.
Você pode deixar o resto em branco, para quando for tendo mais ideias acrescentar na sua outline na ordem cronológica que você deseja que as coisas aconteçam.
Com o decorrer da história, você vai tendo várias ideias e não precisa necessariamente usar todas elas, pois, se você escreve e posta em vez de escrever tudo e postar só depois, consegue perceber que seus leitores vão dando um rumo para sua história e, até mesmo, te dando novas ideias que podem ser melhores do que as que você tinha.

Assim que se tem a outline, que não precisa estar completa, você já consegue criar uma sinopse, então seguimos para:

4) Criando uma sinopse (média).

O que é uma sinopse? Bem, ela é o que vai acontecer na sua fanfic, um pequeno resumo de tudo que você pretende escrever, ou já escreveu, para o caso daqueles que deixam a sinopse para o fim.
As melhores sinopse, são as médias, onde não contém tanta informação que possa comprometer sua história caso tenha uma ideia melhor para o final, por exemplo, e se for uma sinopse grande cheia de informações, no caso seria necessário ter que mudar a sinopse também.
Então, tendo uma sinopse média, dando a ideia do que vai acontecer na história, se tem a sinopse perfeita, mas se ainda tiver dúvidas e não saber como escrever uma sinopse, eu fiz um post de como escrever sinopses.

Depois de se ter a sinopse média dá para passar para o primeiro capítulo.
No primeiro capítulo se deve colocar o que está acontecendo na vida da personagem agora, antes de ela conhecer o mocinho.

5) Crie uma personagem "real".

Então, se ela está mudando de um país para o outro tem que se fazer todo o processo normal para o caso. Não simplesmente pegar ela em um dia e falar "mãe eu quero viajar para não sei onde" e no dia seguinte ela já vai estar viajado.
Pra viajar tem que ter o que? Um passaporte, um visto, tem que ter um lugar no outro país para morar, tem que ter um meio de transporte para se chegar até lá, ou seja, tem que se fazer todo o processo normal de seres humanos dentro do primeiro capítulo.
Por quê? Pois é aqui que os leitores começam a se ver na história, não dá pra você por que um dia ela sai de um país e vai pra outro, no outro já tá apaixonada por um cara sendo que todos nós sabemos que isso não vai acontecer na vida real com os leitores, então você quer que o leitor se identifique com sua história, deve-se fazer o processo natural das coisas
Sim, isso se torna irritante e chato , isso também é algo complicado, por isso aconselho a começar o capítulo com ela já no outro país e apenas mencionando que se mudou, isso já deixa  sua história mais interessante sem precisar fazer todo o processo da mudança.
Também já escrevi um posto sobre primeiros capítulos, então, para mais detalhes sobre como escrever o primeiro capítulo é só verem lá.

6) Sempre revise seus capítulos.

Você escreve todo o capítulo e na hora que você vai postar no site, você revisa o capítulo, pois vai achar um erro, dois ou mais. Quando estamos escrevendo, a gente não percebe os erros que estamos cometendo, só quando revisamos percebemos que uma tal palavra poderia estar de outra forma, ou que repetimos uma mesma palavra muitas vezes, ou a pontuação, comemos letras ao digitar, entre outros.
Quando está revisando, também é bom se preocupar com a estética do capítulo. Como?

7) Edite o capítulo de maneira clara.

Estética é os espaços que você deixa de uma fala pra outra, se um parágrafo para outro, as pontuações...
Arrumando isso você deixa a história mais limpa, de um modo mais claro. Imagine escrever um parágrafo de dez linhas ou vinte linhas, cansa tanto na leitura como no visual, já li várias histórias assim e, confesso, acabava pulando esses parágrafos longos indo logo para o próximo.
Muitas histórias boas não conseguem chegar a um bom resultado por causa da estética do capítulo. Já desisti de ler fanfics por terem erros de português ou uma escrita muito... irritante, mas também já desisti de fanfics com histórias boas e uma escrita boa também apenas por causa dos longos parágrafos cansativos, a falta de espaço, e por ai vai.



Espero ter ajudado com essas dicas, isso é tudo por este post.
Até a próxima.
Beijos da Ana.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Como escrever cenas românticas

Ah! Amor, o doce amor...



Hello guys! Nesse post falarei sobre algo que é motivo de várias dúvidas entre muitos escritores (independente do que ele escreve, fanfics, livros, contos...). Penso que até mesmo alguns renomados escritores ainda tem certa dificuldade na hora de escrever. Falarei das famosas cenas de romance.

Quem já se cansou de histórias em que, nas cenas de romance tão esperadas, leem apenas as seguintes palavras: "e ele me beijou", ou coisas horrivelmente melosas em que a personagem passa um terço da história descrevendo o seu beijo maravilhosamente maravilho com o seu "príncipe encantado".

Pois bem, para escrever uma boa cena de romance, temos que nos lembrar de um fato muito importante: beijos são coisas que nos despertam sentimentos. Não importa se foi nojo, por causa de uma situação forçada ou apenas desagradável, ou felicidade, pois a personagem esperou por muito tempo por aquele momento ou simplesmente achou agradável.

Outra coisa que é importante: o primeiro beijo nunca é algo intenso ou divino. Que atire a primeira pedra quem teve o seu com seu príncipe encantado no meio de uma praia com um lindo pôr-do-sol ao fundo e uma trilha sonora perfeita tocando, impossível, certo? Vamos ser um pouco realistas, okay? Sua personagem pode até gostar, porém não pode ser algo profundamente intenso. Então, temos que lembrar que, ela querendo ou não, vai ser inesquecível (mesmo que de uma forma horrível).

O mais importante nessas cenas é se lembrar de suas próprias experiências ou se inspirar em algumas autoras que realmente são boas nisso, cujos livros, fanfics ou seja o que for, sejam mais focados no romance.

Também não podemos nos esquecer de que cenas de romance não são apenas beijos. Abraços, cafuné, andar de mãos dadas, falas fofas e outras coisas assim também são contados como romance e, além de darem um toque mais real a história, ainda fazem com que o seu texto fique mais rico.

Vejo muitas autoras confundirem a forma como narrar afeto que a personagem sente pelo seu melhor amigo e o amor que sente por aquele cara que faz seu coração bater mais forte. E isso é algo essencial, por isso vou tentar diferenciar ambos os sentimentos:

Um sentimento de afeto é bem mais calmo, agradável e que faz seu coração ficar estabilizado. Já o amor é mais conturbado, desesperador e faz sentir como se o coração fosse sair pela boca de tão apressadamente que ele bate.

E, claro, não podemos esquecer que para compor uma cena de romance, a personagem não deve apenas chegar ao lugar onde está o garoto dos seus sonhos, falar qualquer coisa sem sentido e, de repente, os dois estão se beijando loucamente. Antes disso temos que criar um cenário, além da forma como os dois personagens foram parar ali juntos.

Também não é adequado, a meu ver, fazer uma cena de beijo um dia após o casal se conhecer. Seria bom uma espécie de "enchimento", nada que seja do tipo: "eles se esbarraram na rua, ele olhou nos olhos de Jujuba e beijou-a.". Até por que, se fosse assim, não seria romance.

É extremamente importante, porém, a maioria das pessoas se esquece, ter em conta que o nosso corpo envia sinais de quando estamos interessados por uma pessoa. Exatamente pelo fato de quase ninguém se lembrar, resolvi citar alguns sinais que me parecem ser importantes:

1) Demonstrar cuidado com a aparência;
2) Sorrir com frequência;
3) Posicionar o corpo na direção da outra pessoa;
4) Inclinar o corpo e imitar a postura do outro;
5) Tocar na outra pessoa;
6) Ficar muito perto durante uma conversa;
7) Olhar fixamente para a outra pessoa;
8) Prestar muita atenção na outra pessoa;
9) Tomara iniciativa de contato;
10) Prolongar o encontro.

Mas é claro que não podemos nos esquecer de dos personagens. Isso é um fato de suma importância.


Agora, penso que deu para tirar uma boa parte de suas confusões sobre as cenas de romance. Espero que tenham gostado e possam fazer bom uso dessas dicas em suas histórias.
Até a próxima.
Beijos da Ana.