Mostrando postagens com marcador dicas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dicas. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Tempos Verbais



Hey oh people! Venho aqui neste post para falar sobre os tempos verbais. Este é um assunto muito importante para manter a coerência da história, por isso não resisti ficar sem falar sobre.

Bom, para falarmos sobre verbos, primeiro precisamos defini-los.

Verbos são uma classe de palavras que variam com gênero, número e grau, ou seja, precisam estar dentro de uma concordância. Semanticamente, indicam ação, estado, posse ou fenômenos da natureza. O nosso foco, aqui, será nos verbos que indicam ações, já que notei que os maiores problemas dos autores estão nessa parte.

O que define o tempo verbal é a relação da ação e da fala. Como assim? Vamos exemplificar para ilustrar a definição: se a ação ocorreu no passado e a fala está no presente, o tempo do verbo será o passado. Por isso, o mais importante aqui, é definir qual será a relação entre a narração e os acontecimentos da sua história. Desta forma, você vai poder consolidar a coerência e a coesão do seu texto, do início ao fim.

Para isso, vou contar a vocês os três tempos verbais mais utilizados (presente, passado e futuro), a característica de cada um deles no indicativo e dicas sobre como usá-los corretamente.

Vamos começar pelos mais simples, porém um tanto quanto problemático: o presente. O tempo presente é quando a ação coincide com a fala, ou seja, você está narrando ao mesmo tempo em que a situação está acontecendo. Por isso, pode indicar também ações que acontecem no cotidiano. Normalmente, é acompanhado de palavras que indicam rotina, pois assim fica explícito que é uma ação do dia a dia. Por exemplo:

"Todo dia ela faz tudo sempre igual."

O verbo no presente também pode representar verdade consideradas incontestáveis, dogmas, leis ou estados  permanente, uma vez que independente do momento, sempre vão acontecer concomitantemente com a fala.

"A Terra gira em torno do Sol."

O grande problema do presente é o gerúndio. Quando a ação está acontecendo simultaneamente com a fala (ou até mesmo com outra ação no presente) para expressar progressão. É um processo verbal não finalizado, contínuo, não possui flexão e atua, algumas vezes, que não nos importa por agora, como nome.

"Ele está correndo por aí desde ontem."

Até ai, nada problemático, certo? O que muita gente confunde é o gerúndio com o gerundismo. A principal característica entre os dois é o fato de um ser correto gramaticalmente (gerúndio) e o outro, não (gerundismo). Mas o que é o gerundismo? É quando se usa o verbo no gerúndio em um tempo que não é o presente. Isso é erra porque, nesse caso, o autor está usando um verbo no tempo não adequado. Vamos exemplificar para ficar mais fácil de entender:

"Nós vamos estar descendo para a quadra assim que bater o sinal."

Sim, o que está no exemplo acima está errado. Veja bem, "descendo" é um verbo no presente, logo, está acontecendo agora, e na fala, foi usado em uma frase no futuro. É incoerente usar um verbo no presente para designar uma ação no futuro. A frase certa ficaria.

"Nós vamos descer para a quadra assim que bater o sinal."

O segundo tempo verbal e o mais utilizado nas narrações é o passado. O tempo passado é usado quando a fala retoma a ação. Existem três tipos de pretérito no indicativo: o perfeito, o mais-que-perfeito e o imperfeito.

O pretérito perfeito simples é utilizado para indicar uma ação que se produziu em certo momento do passado.

"Entrei pela porta estreita e esbarrei no quadro."

O pretérito perfeito composto é formado pelo verbo auxiliar no presente do indicativo e o verbo principal no particípio passado. É usado, principalmente, pera expressar um fato repetitivo ou contínuo aproximando-se do presente.

"Tenho falado com o médico antes das cirurgias, mas tenho percebido que nem sempre isso funciona."

O pretérito imperfeito, diferente do perfeito, indica uma ação que ocorreu em uma época passada, habitual ou repetitiva, além de também expressar ações que aconteceram no passado e perpetuam até o presente. Normalmente, também é acompanhado de palavras que indicam a rotina. Exemplo:

"Você fumava vários cigarros todos os dias, lia o mesmo jornal e sentava no mesmo lugar."

Além disso, o pretérito imperfeito também pode expressar consequências imediatas de fatos que não ocorreram, ou são impossíveis.

"Tivesse ele forças para trabalhar como no passado, transformava aquela pobre roça numa grande e verde plantação."

Por último, o verbo no pretérito imperfeito pode indicar também uma ação simultânea à outra do pretérito perfeito. Como na frase:

"Quando eu dançava minha música preferida, você fingiu não me ver."

Preciso contar para você que o pretérito mais-que-perfeito é o preferido na leitura. Não é nada incrível, gramaticalmente falando, quando o autor usa esse tempo verbal na narração. Acontece que, por parecer difícil e muita gente o evitar, pouco aparece no dia a dia das fanfictions. Esse pretérito não é nenhum bicho de sete cabeças para precisar fugir dele, aliás, é bem fácil o entender. O mais-que-perfeito é utilizado para expressar uma ação que aconteceu antes da ação do passado.

Suponhamos que na história, a personagem saiu de casa e, assim que ela abriu a porta, percebeu que estava chovendo. Nesse exemplo, a primeira ação (de sair de casa) vai ficar no pretérito mais-que-perfeito e, a segunda ação (de perceber a chuva) no pretérito perfeito.

"Samantha abrira a porta e foi surpreendida pela chuva breve de verão."

Pode-se usar também os dois verbos no pretérito perfeito, como "abriu a porta e foi surpreendida". Existe ainda o pretérito mais-que-perfeito composto, em que se usa o verbo auxiliar no pretérito imperfeito do indicativo e o verbo principal no particípio passado.

"Samantha tinha aberto a porta e correu, porque chovia."

E por último, porém não menos importante tempo verbal: o futuro. O tempo futuro é usado quando a fala antecipa uma ação do futuro. Existem dois tipos de futuro: o do presente e o do pretérito.

O futuro do presente é o mais encontrado nas histórias em geral. Indica fatos prováveis e posteriores à fala.

"Eles chegarão amanhã antes do café das cinco horas."

Pode indicar também uma realização provável em afirmações condicionais, ou seja, sobre algo que pode ou não acontecer.

"Se você chegar em casa antes de meia-noite, encontrará janta pronta."

Já o futuro do pretérito costuma confundir alguns autores em alguns casos. Isso acontece porque esse tempo verbal indica ações que não se realizaram e que, provavelmente, não se realizarão em afirmações condicionais.
Exemplos:

"Eu iria andar com mais calma, se você não tivesse reclama tanto."

O que muitos autores confundem é, principalmente, o "iria" com "ia". Quando a narração quiser expressar uma ação que poderia acontecer, que deveria acontecer dependendo de certa condição, usa-se o futuro do pretérito, e não o pretérito imperfeito, como muitas pessoas acham, apenas porque oralmente, essas distinções não existem. Por isso, uma dica muito importante é prestar atenção nessa situação, para evitar erros bobos.

Usar os verbos no tempo certo não é difícil caso você se baseie nessas definições básicas que contei aqui. Pode ser um pouco complicado absorver todas essas informações de uma vez, ou compreender exatamente o que cada tempo verbal quer expressar apenas com um exemplo, porém, o contato inicial é assim mesmo. Pense na estrutura da sua frase enquanto você a escreve que, com o tempo, escrever os verbos certos vai se tornar algo quase que involuntário. Pode não parecer, mas isso ajuda muito na compreensão e interpretação do leitor, além de aumentar o nível gramatical da escrita.

Bom, acho que sobre tempos verbais do indicativo, eu não tenho ais nada para contar a vocês.
Espero ter ajudado com suas dúvidas.
Isso é tudo.
Até o próximo post.
Beijos da Ana.

domingo, 26 de julho de 2015

Plot Twist: Enganar e Cativar

 Eu sou seu pai.

O texto contém grandes spoilers. No entanto, eles estão marcados em branco. Para lê-los, basta selecioná-los com o mouse. Só sugiro que faça, caso já tenha lido o livro/assistido ao filme.

"Plot Twist" (plot = enredo/twist = torcido), traduzido literalmente como reviravolta, é um elemento narrativo usado para surpreender os leitores/expectadores.
A wikipedia define Plot Twist como: "[...] uma mudança radical na direção esperada ou prevista da narrativa de um romance, filme, série de televisão, quadrinho, jogo eletrônico ou outra obra narrativa. É uma prática muito usada para manter o interesse do público na obra, para normalmente surpreencê-los com uma revelação."

"Mas como eu uso o Plot Twist em meu texto? Só há uma maneira?"

Claro que não.

Existem vários métodos de introduzir um Plot Twist em uma narrativa. Por falta de didática melhor, acredito que a melhor forma de explicar as diversas formas seja enchendo esse post com inúmeros exemplos. Eles obviamente virão acompanhados de spoiler, a fim de ilustrar da melhor forma possível.

Então peço desculpas desde já, e aviso que os spoilers estarão invisíveis (para ler o spoiler, basta selecionar o texto entre aspas com o mouse).

1) Plor Twist ao fim da narrativa

O tipo de reviravolta que todos conhecem. Nesses casos, o grande clímax da história está justamente em um grande fato ou acontecimento. Ele determinará o fim da história, e é por meio desse grande final que conhecemos obra que ficaram eternizadas.

~Spolers - Clube da Luta (filme de David Fincher)~

"Quem já assistiu sabe que no fim da história descobrimos que o Tyler na verdade era uma projeção do próprio ack, devido suas noites insones e problemas psicológicos.
Mas, o Plot Twist da história se revela apenas ao fim, quando Jack passa a rever todos os acontecimento pela sua ótica, e se vê segurando a arma que Tyler apontava para ele. Naquele momento, é tarde demais para conter o grande plano de Tyler, que acaba ocorrendo. Mas fica subentendido que o romance entre Jack e Marla foi levado a frente - isso é, se ele não foi preso e sobreviveu."

Sendo assim, podemos dizer que a marca registrada desse tipo de elemento narrativo, quando executado da forma acima citada, é a surpresa que só afeta aquele pequeno período de tempo. Nós não veremos o que irá acontecer depois, porque o depois não importa. O choque imediato é suficiente para que qualquer dúvida se torne algo de segundo plano.

2) Plot Twist no início/meio da narrativa

Estamos acostumados a ver reviravoltas acontecerem no final, mas esse tipo de Plot Twist muito me interessa por sua peculiaridade. Diferentemente do que se espera, a história é narrada bem até determinado ponto e depois ainda tem que lidar com os resultados - imediatos e a longo prazo - de sua mudança.

~Spoiler - A favorita (novela de João Emanuel Carneiro)

"Aqui temos duas protagonistas: Flora e Donatella. Por mais de dois meses de novela (exatamente 59 capítulos), o público foi induzido a pensar que Donatella tinha cometido um crime e estava pagando por seus pecados na cadeia. Mas no capítulo 60, eis que surge a magia do twist.
Foi na verdade Flora quem cometeu o crime, e a missão de Donatella passa a ser desmascarar a vilã e reconquistar sua filha, que acabou ficando sob a tutela de Flora enquanto Donatella esteve na cadeia."

O mais legal nesse tipo de reviravolta, é que ainda temos mais da metade dos acontecimentos pela frente. Sendo assim, o autor praticamente desenvolve duas tramas. Além do mais, Plot Twist aqui não serve para dar fim a uma sucessão de fatos, mas para desencadear uma série de novos problemas que deverão ser solucionados até o fim da jornada.
Ou seja, usar a ferramenta do Plot Twist no meio da história é mais para "animar" o público, dando a eles a sensação que a história não é previsível e que muita coisa ainda pode acontecer dali pra frente.


Ainda existem algumas subclasses para os twits:

A) Cronologia reversa: a história, nesses casos, começa justamente pelo seu final. Sendo assim a curiosidade é plantada no "como" a situação prosseguiu até que se chegasse a esse ponto e não no "porquê".

Ex: "Em "Memórias póstumas de Brás Cubas" temos o narrador protagonista contando sua história até que chegasse a morte. Mas ele avisa o leitor logo no início que ele já estava morto."

B) Red herring (ou "distração): usado principalmente em romances policiais, é a reviravolta que pega a todos desprevinidos, pois planta pistas falsas ou oculta informações primordiais para a solução do mistério.

Ex: "Em "Os Outros", vemos uma mãe desesperada com a casa cheia de fantasmas. Durante todo o filme tentamos entender de onde vêm os espíritos e o que fazer para afastá-los. Até que para surpresa geral, na verdade a Nicole Kidman, seus filhos e empregados que estavam mortos. Chocante."

C) Flashbacks: esses aqui são mais do que conhecidos. Usado por 9 em cada 10 ficwriters (e aqueles que nunca usaram, ainda vão), são a melhor forma de justificar uma personagem. Trazendo o que já sabemos de flashbacks para a mecânica do Plot Twist, nesses casos, apenas uma cena do passado é suficiente para mudar todo o enredo futuro.

Ex: "Em "Titanic", o objetivo principal do filme é achar o maldito diamante que todos achavam que tinha se perdido para sempre na imensidão azul. Claro que tudo foi esquecido a partir da primeira cena de Jack e Rose. Até que já estamos nos anos 90 e, de repente, somos transportados de volta a 1912, onde vemos Rose mexer em seu bolso e achar o diamante. Uma cena tão sutil que mudou o rumo da história (para os telespectadores, é claro, já que não faz muita diferença para aquele cara que gastou milhões procurando uma pedra para desistir quando ela finalmente foi lançada ao mar)."

D) Narrador não-confiável: ele está narrando a história em primeira pessoa, então é a única fonte de informação do público. O choque da reviravolta aqui é salientado pelo narrador se dar muito bem/muito mal, mesmo não merecendo. Afinal de contas, ele manipulou toda história a seu favor, deixando difícil para os leitores decidirem o que realmente acham de sua índole.

Ex: "Em "Dom Casmurro", deveríamos ler apenas uma história cotidiana de romance, que virou uma tragédia devido à "infidelidade" de Capituu. Contudo, o narrador da história é o próprio Bento, e nunca ficamos sabendo se ele estava mentindo ou não"

E) Chekhov's gun: é um princípio narrativo que diz que tudo que é colocado em uma narrativa tem um propósito. Em meio a um Plot Twist, o chekhov's gun pode ser qualquer elemento (desde uma personagem até um objeto), que iá ser relevante para o clímax da história.

Ex: "No filme "Um porto seguro" temos a personagem Jo, que se torna amiga de Erin. As duas ficam cada vez mais próximas, e Jo passa a dar várias dicas de relacionamento para que Erin perca seu medo e Alex e ela sejam felizes juntos. No fim descobrimos que Jo é a falecida esposa de Alex, que tirou férias do céu e permaneceu por ali só para ter certeza de que seu amado e filhos teriam um bom futuro."

*(não li o livro, então não posso dizer se a narrativa se repete)

F) Descoberta: a última e não menos importante subcategoria do Plot Twist é a descoberta (ou anagnórise). Nesse caso, a personagem faz uma descoberta sobre si (ou de outro personagem) que muda o rumo da narrativa.

Ex: "Em "O sexto sentido" Bruce Willis está morto. O filme inteiro. O que difere, no entanto, com o Plot Twist Red Herring demonstrado em "Os outros" é o fato de que a narrativa girava em torno do menino, Cole. Então a descoberta nos faz ver que o protagonista nunca foi Cole, e sim Malcolm (por protagonista, falo daquele que precisava "fechar" um ciclo). Claro que temos algumas dinâmicas Red Herring (de deixar pistas soltas que indicavam a morte do psicólogo), mas o choque nesse caso é justamente a mudança súbita da natureza do protagonista."


Ótimo, agora eu tenho muitas referências. Mas como eu utilizo essas dinâmicas no meu texto?

Não existe uma fórmula mágica que faça Plot Twists funcionarem. O grande segredo para uma reviravolta ser bem executada, é ela ter coerência e casar com o texto.
Com isso quero dizer: não force a barra para usar um Plot Twist. Criar uma história mirabolante só para inserir uma ideia que cause choque no leitor não é uma boa ideia.
Além do mais, fazer de Plot Twist uma assinatura sua pode tornar-se, por incrível que pareça, previsível demais.
Um exemplo simples que nem chega a ser um spoiler: George R. R. Martin adora matar suas personagens. O primeiro "protagonista" que morreu causou um tremendo choque e comoção. Mas agora, mesmo ferindo sentimentos alheios, as mortes são apenas o caminho necessário para o decorrer da narrativa. Ou motivo para piada no Facebook. De qualquer forma, aquele choque que sentíamos dos primeiro livros/temporadas de Game os Thrones, agora já passou.
Temos também o diretor de cinema Shyamalan. Depois de "O sexto sentido", vimos "Sinais" e "A vila" serem vendidos como filmes de finais surpreendentes. Mas basta perceber como ambos não geram polêmica pelos seus finais para saber que eles talvez não tenham surpreendido tanto assim.

Conclusão

Reviravolta é um elemento que pode lançar sua narrativa para o sucesso. Tendo um bom enredo e um final surpreendente, é quase impossível a história não receber comentários positivos.
O problema é que a única forma de saber o que funciona e o que não funciona é testando.

Espero então que toda a informação acima auxilie vocês na hora de escolher o tipo de Plot Twist que mais se encaixa com sua história.
Isso é tudo.
Até o próximo post.
Beijos da Ana.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Pontuando diálogos

Hey, people.

Hoje trago aqui ao blog um post que penso que lhes será muito útil. Venho falar de diálogos.

Afinal, você sabem pontuar diálogos corretamente ou não? Sabem onde devem aparecer pontos finais, as vírgulas, as maiúsculas...? Usam aspas ou travessão? E que tipo de aspas? E, afinal, como podem inserir o símbolo do travessão no texto?

Pois é, essas são algumas das questões mais frequentes que eu espero que fiquem esclarecidas quando este post chegar ao fim.

Vamos ir para a primeira parte:


Aspas ou travessão? Afinal, qual é a diferença?

Na verdade, podem pontuar como quiserem. Quer escrevam com um, quer escrevam com o outro sinal de pontuação, a escolha é vossa. Lembrem-se apenas de optar por um ou pelo outro ao longo de toda a história ou poderão confundir os vossos leitores. Decidem qual opção querem e mantenham-na até misturarem as duas já é errado.

Mas... como é que é possível que haja duas opções? De onde saiu isso?

Reza a lenda que, tradicionalmente, em português, se deve usar o travessão para marcar diálogos. (O travessão é esse sinal "". No final do post eu explico como podem arranjar). Aliás, nem as aspas tradicionais do português são iguais àquelas que estão habituados a ver por aí.
As aspas das línguas latinas, as retas ( « » ). No entanto, com o tempo, isso tem vindo a mudar. No Brasil é muito mais usual usarem-se as aspas curvas ("essas"), nem há teclas próprias para aspas retas duplas como há nos teclados portugueses. Apesar de tudo, em Portugal também se tem passado a usar muito mais as aspas curvas duplas. Parece que elas estão cá para ficar, quer as usemos nos diálogos quer não.

De fato, a história das aspas é curiosa e há vários tipos diferente usados em línguas diferentes. Tudo depende da língau em que você está escrevendo ou até do país de onde vem o texto. Aconselho que verifiquem a página da wikipédia que fala do assunto para mais esclarecimentos e podem até investigar por conta própria se continuarem curiosos.

Mas, se é assim, então quais são as diferenças de usar o travessão ou as aspas? Tem regras diferentes?

Como eu já expliquei anteriormente, nas línguas latinas o usual é usar as aspas retas, mas as aspas usadas nos diálogos por aqui, hoje em dia, são as curas ("essas"). E as regras são ligeiramente diferentes.

Isso acontece porque a forma de pontuar diálogos com aspas curvas também não é nossa. Essa forma de escrever diálogos foi adquirida por influência de outra línguas onde essa é a forma predominante. Hoje em dia é aceito na língua portuguesa e é por isso que as aspas são uma opção válida que podem considerar quando escreverem as suas histórias.

Dá para ressaltar que este texto tem em conta a pontuação em inglês americana, já que é seguindo essa norma que as aspas duplas são usadas, e que o inglês britânico tem regras de pontuação próprias, que explicarei por alto no final do texto

Aconselho-os a escolherem a forma que irão deixá-los mais confortáveis, juntamente com as regras correspondentes.

Mas vamos falar logo dessas regras. Elas são fáceis, vocês vão ver.

Começando com uma questão simples:

Você sabe quando deve usar letra maiúscula ou minúscula?

Esse é um erra que eu vejo muito em fanfics, quer pontuem os textos com aspas quer pontuas com travessão. Apesar disse, e contrariamente ao que pode parecer, a solução é bem simples.

Nos diálogos, as regras mais importante dependem do texto. Isso quer dizer que, dependendo daquilo que escreverem junto com a fala, a letra ou será maiúscula ou será minúscula.

Mas daqui a pouco eu entro em mais detalhes sobre isso. Agora, vamos começar com os exemplos sem grandes coisas.

— Gosto de bolo.

~~

"Gosto de bolo."


Pronto, aí temos uma frase bem simples, pontuada das duas formas usuais. E quem não gosta de bolo?

Nessa frase, duvido que haja dúvidas na pontuação. É só colocar a fala a seguir de um travessão ou dentro de aspas, com letra maiúscula no início e ponto final. Sem problemas aqui.

Mas assim não sabemos quem falou, ou como a fala foi dita, ou em que circunstâncias se desenrolou esse diálogo. Nas nossas histórias, costumamos ter muita coisa a dizer sobre as falas. E como fazem nesses casos? Como fazemos se quisermos transmitir uma ideia com mais pormenores, como "O Pedro disse que gosta de bolo"? Como e onde colocamos esse "disse o Pedro"?

Começando pela forma mais simples e mais usual (depois da fala, na parte final da frase).

Exemplo A:

 Queres um sapato? — perguntou a Joana.

~~

"Queres um sapato?" perguntou a Joana.

Pois bem, sim, pode parecer estranho e o Word pode até sugerir que façam aí uma mudança drástica, mas essas duas frases estão bem pontuadas e bem escritas. Comecei de imediato com grases com pontos de interrogação porque quero que entendam uma coisa importante: na pontuação dos diálogos, o que conta realmente é o verbo que acompanha as falas. Mais nada.

Vamos comparar estas com as seguintes.

Exemplo B:

— Queres um sapato? — A Joana esticou um dedo e apontou para os seus pés.

~~

"Queres um sapato?" A Joana esticou um dedo e apontou para os seus pés.

Conseguem ver o que hpa de diferente dos exemplos A para os B? Nos A, depois da pergunta, havia letra minúscula. Nos B, depois de escrevermos exatamente a mesma pergunta, surge uma frase com letra maiúscula. Então os exemplos A estão certos e os exemplos B estão errados? Não. Então são os B certos e os A errados? Também não. Ambos os exemplos estão corretos.

Eu disse ainda há pouco que o que diferenciava a pontuação do diálogo era o verdo que acompanhava a fala, certo? Vamos lá olhar outra vez para os verbos.. E não se preocupem, não há nada gramatical aqui.

Nos exemplos A, o verbo ela "perguntar". Nos exemplos B, os verbos são "esticar" e "apontar". Conseguem ver aqui a solução?

Pois, a verdade é que, para se descrever uma fala, nós usamos verbos que exprimem essa ideia de falar. Verbos como "dizer", "peguntar", "berrar", "inquirir", mesmo que seja através de metáforas ("chutar": — Gosta da Mariana? — chutou Pedrinho."). Todos os bverbos que descrevam o ato de falar e que estejam diretamente ligados à fala têm de vir ligados a essa fala. Essa ligação é expressa através da letra minúscula, que indica que a ideia da fala ainda continua na narração, que uma complementa a outra.

E agora reparem nos exemplos B. Os verbos "esticar" e "apontar" referem-se à fala? Não, claro que não. Referem-se a duas ações que a Joana fez, imediatamente após ter falado. Então isso quer dizer que temos duas ideias diferentes e que não há um verbo de fala que una diretamente a linha do diálogo à narração. Dessa forma, temos de usar letra maiúscula.

Deixo aqui mais exemplos, para irem percebendo melhor. E vou apenas usar pontos de exclamação e de interrogação.

Gosta de chocolate? questionou Madalena.

Gostaria de dançar comigo? O olhar de Rodrigo era sincero.

 Você é louco! Afasta-se de mim!  berrou João.

Sou alérgica a chocolate!  Afastou-se Rita do bolo sobre a mesa.

"Gosta de gatos?" inquiriu Pedro.

"Tenho um enorme gato preto chamado Chinelo!" Sorriu Ricardo ao relembrar das patas fofas do seu Chinelito.

"Não gosto nada de ti!" exclamou Barbara.

"Detesto baratas!" Fugiu Marina para a cozinha.

Perceberam tudo até aqui?

Quando o verbo descreve a fala, o verbo vem com letra pequena, unindo a narração ao que foi dito.
Quando o verbo descreve uma ação paralela ou seguida à fala, então passamos a ter duas ideias diferentes e a letra que vem depois do ponto é maiúscula.

Nesta altura devem estar se perguntando por que só optei por usar frases com pontos de interrogação e exclamação. A minha intenção era que entendessem e não se voltasse a esquecer de que, nos diálogos, é o verbo quem manda e o resto só obedece. É uma ideia bem simples e é ela que rege todas as outras regras.

Tendo isso em mente, vamos agora ver o que acontece em frases mais comuns, frases que tenham pontos finais. Aqui as coisas tornam-se diferentes para o travessão e para as aspas, mas vamos avançar por um de cada vez.

Acho que o melhor é dar um exemplo para vocês poderem pensar e analisar a explicação em seguida.

 Não gosto de cães  disse Ricardo.

 Não gosto de gatos.  Afastou-se Ricardo do animal.

 Tenho pena de ti.  O tom da voz de Madalena era de pura compaixão.

Analisemos estes exemplos. Como podem ver, a letra maiúscula ou minúscula ainda está dependente do tipo de verbo. "Dizer" é um verbo de fala, então vem com letra pequena. "Afasta-se" e "ser" são verbos que descrevem ações e não se aplicam diretamente sobre a fala, mesmo que indiretamente falem dela, como acontece no terceiro exemplo. Nesses últimos dois casos, usou-se a letra maiúscula.

Conseguem reparar agora na outra diferenã entre o primeiro caso e os outros dois? No primeiro não há ponto final, mas nos outros há. Percebam porque usei apenas pontos de exclamação e de interrogação nos anteriores, certo? Porque as regras são diferentes para um e para outro tipo de ponto.

Podemos dizer que, em certos casos, os pontos de exclamação e de interrogação não funcionam realmente como pontos. Eles são marcadores visuais que nos dão a entoação da frase, mas não servem para lhe colocar um final. Nos diálogos, é assim que eles funcionam e é esse o seu papel.

Comparando esses pontos com o ponto final, vemos que o ponto final já serve para colocar um final real nas frases sempre que aparece. Quando a frase não termina na fala e continua na narração através de um verbo que expressa o ato de falar, o ponto não aparece. Quando a frase da fala termina e é seguida de uma outra frase que se refere a uma ação completamente diferente, temos o ponto final, para mostrar que as ideias são diferentes.

Entendem agora o que eu quis dizer com o verbo que manda na pontuação? O tipo de verbo define como a pontuação se comporta a cada cado.

Vamos agora a mais exemplos:

 Adoro gatos!  declarou Maria.

 Não gosto muito da sua tia...  disse Matilde.

 Tem quantos cães?  perguntou Mariana.

 Tem olhos bonitos  aformou a avó.

 Detesto pó!  Estava Maria com os olhos vermelhos de alergia.

 Não gosto do meu pai.  A voz de Pedro era fria como gelo.

 O que aconteceu?  Estava Mariana genuinamente preocupada.

Compreenderam tudo direitinho até aqui?

Vamos avançar e ver, afinal, o que distingue a pontuação com aspas da pontuação com travessão. Vou introduzir mais exemplos, que eu acredito que eles tornam tudo mais simples;

"Adoro camaleões" disse Vania.

"Ama teu marido mais do que eu pensava, não é?" perguntou a sogra.

"O golfinho sabe nadar." Matilde bocejou.

Até aqui, é tudo igual, certo? Mas, quando se relaciona uma frase com a narração com um verbo de fala, deixa de ser.

"O golfinho sabe nadar," disse Matilde.

Notaram ali aquela vírgula? Bom, com as aspas é necessário colocar uma vírgula quando a mesma frase tem fala e tem narração, e se passa de um para a outra.

Ficou claro o porquê da vírgula aparecer ali? Mudou de fala para narração, tem de haver alguma coisa que o indique, então surge a vírgula.

Vamos expandir o exemplo e vamos colocar uma vírgula para eu falar de mais alguns pormenores e da posição na vírgula nessas frases. A fala que vai ser dita será O golfinho sabe nadar, mas o morcego não sabe.

"O golfinho sabe nadar," disse Matilde, "mas o morcego não sabe."

Notem que a vírgula vem sempre junto do primeiro elemento e não junto do segundo. Assim, se primeiro vier algo entre aspas, a vírgula vem dentro das aspas, junto a última palavra desse primeiro elemento. Se a vírgula separar narração de fala, e primeiro vier a narração, a vírgula vem fora das aspas, junto à última palavra da narração (vejam a segundo vírgula do exemplo). Assim, a vírgula que pertencia à fala acaba logo de início. É bem simples, não é?

Agora, aproveitando o exemplo, vamos ver como ficaria intercalada uma pequena narração dentro de uma fala maior com travessão. Reparem no que acontece à vírgula:

 O golfinho sabe nadar  disse Matilde , mas o morcego não sabe.

Ao contrário do que acontece com as aspas, nunca se coloca uma vírgula junto do primeiro elemento, ela vem sempre junto do primeiro elemento, ela vem sempre junto do segundo. Isto quer dizer que não podemos ter vírgulas antes de travessões. Se a fala tiver uma, temos de colocar a narração antes dessa vírgula, para que o travessão possa ficar antes dela, e a vírgula virá acompanhada a fala.

Veja os exemplos:

— O golfinho sabe nadar — disse Matilde — mas o morcego não sabe.

— O golfinho sabe nadar — disse Matilde, — mas o morcego não sabe.

— O golfinho sabe nadar —, disse Matilde — mas o morcego não sabe.

— O golfinho sabe nadar, — disse Matilde — mas o morcego não sabe.

Todas estas frases estão mal pontuada. Pensem assim: a vírgula existe na fala, então tem que estar lá, não pode desaparecer (1). A vírgula pertence à fala, então não pode vir junto da narração, isto não faz sentido (2 e 3). E a última regra é a mais simples: a vírgula nunca vem antes de uma travessão (4).

Assim sendo, só a primeira frase dada anteriormente estava correta:

 O golfinho sabe nadar  disse Matilde , mas o morcego não sabe.

E eu agora pergunto: e se vier um verbo de fala dentro de duas frases diferentes?

O golfinho sabe nadar. O morcego, por sua vez, sabe voar.

Quero colocar "disse Matilde" entre as frases.

Vamos pontuar isso corretamente. Ficaria:


 O golfinho sabe nadar  disse Matilde.  O morcego, por sua vez, sabe voar.

"O golfinho sabe nadar," disse Matilde. "O morcego, por sua vez, sabe voar."


Sim, a narração vai restringir-se apenas a uma frase. O verbo "dizer" está ligado à primeira parte da fala. Depois, a frase termina e começa outra, sem verbo na narração. Assim, temos de assimilar a separação das duas frases da fala com o ponto antes da segunda, separando a primeira da segundo. A narração fica "embutida" nas falas se tiver um verbo de fala. É como se a fala se estendesse e perdurasse durante a narração que a descreve. Só aí é que termina e, terminando a narração, termina a fala que lhe esta ligada.

Em outros casos, se tivermos uma ação no meio da fala, fica assim:


"O golfinho sabe nadar." Sorriu Matilde. "O morcego, por sua vez, sabe voar."

 O golfinho sabe nadar.  Sorriu Matilde.  O morcego, por sua vez, sabe voar.


A ação não está ligada à fala por um verbo de fala, então temos três ideias e três frases distintas.

Se tivermos um verbo um verbo de fala MAIS uma ação, unindo as regras anteriores, fica assim:


"O golfinho sabe nadar," disse Matilde, sorrindo. "O morcego, por sua vez, sabe voar."

"O golfinho sabe nadar," disse Matilde. Ela sorriu. "O morcego, por sua vez, sabe voar."

~~

 O golfinho sabe nadar  disse Matilde, sorrindo.  O morcego, por sua vez, sabe voar.

O golfinho sabe nadar  disse Matilde. Ela sorriu.  O morcego, por sua vez, sabe voar.


Vamos terminar agora falando dos casos com frases maiores.

Apesar de ser correto intercalar uma narração com verbos de falano meio de uma linha de diálogo longa sem a quebrarem, não podem intercalar ações no meio de uma linha de fala grande sem a interromperem. Lembrem-se, os verbos de fala completam o diálogo, a fala estende-se para os verbos de fala... mas os verbos de ação interrompem a fala, abordam ideias completamente diferentes e não se ligam entre si.

Frase longa:

"Eu gosto de caracóis, mas detesto porcos."

Eu gosto de caracóis, mas detesto porcos.

Pode haver narração no meio:

"Eu gosto de caracóis," disse Mariana, "mas detesto porcos."

 Eu gosto de caracóis  disse Mariana , mas detesto porcos.

Ou pode ter a narração no final:

"Eu gosto de caracóis, mas detesto porcos," disse Mariana.

 Eu gosto de caracóis, mas detesto porcos  disse Mariana.

A ideia é que, realmente, narração com verbos de fala completam a fala, onde vierem, e ela segue sem problemas, esteja a narração onde estiver, e desde que não quebre nem interrompa nenhuma ideia que componha a frase.

Mas se tiverem uma ação já não têm essa liberdade. Vejam como se inicia uma frase nova no final por causa do verbo em questão:

"Eu gosto de caracóis, mas detesto porcos." A Mariana coçou o queixo.

 Eu gosto de caracóis, mas detesto porcos.  A Mariana coçou o queixo.

A única maneira de intercalarem uma ação durante uma fala é cortando a fala em várias frases distintas, assim>

"Eu gosto de caracóis..." A Mariana coçou o queixo. "Mas detesto porcos."

 Eu gosto de caracóis... A Mariana coçou o queixo.  Mas detesto porcos.



E pronto, falei que estava terminando. á abordei todas as exceções e todas as situações básicas de pontuação de diálogos.

Foi um post long, mas espero ter ajudado.

Vou deixar, agora, uma lista com exemplo de diálogos um pouco maiores e intercaladoscom mais narração para as duas formas de pontuação. Espero que não tenham mais dúvidas. Estudem os exemplos agora do final e reparem nos verbos e na pontuação usada ao intercalar o diálogo da narrativa.

Boa escrita para você

~~
Queria um pouco mais do teu incrível café mágico.” Lourenço deu um toque na caneca à sua frente, sorriu para a sua filha. “Por favor, claro.”
Está bem, está bem… Mas só porque o senhor é um bom cliente!” Ela saiu da cozinha a correr e no segundo seguinte berrou do quintal, “Com muita ou com pouca terra?”
Lourenço suspirou e depois respondeu de volta, “Com muita, minha senhora!” Ele só esperava que desta vez não houvesse minhocas.
~~
— Odeio-te! — exclamou Renata. Ele tentou aproximar-se dela, mas a mulher foi mais rápida. — Não me toques! — Antes que ela sequer pudesse pensar no que fazia, a sua mão subiu e acertou no rosto dele.
~~
Não acredito nisto!” disse Linda. Olhou à sua volta e ainda lhe custava reconhecer a jarra que fora da sua avó entre os cacos espalhados no chão. As flores jaziam sobre uma poça de água suja. Ela voltou a sua atenção para os seus filhos. “Quem foi que fez isto?” As crianças recusavam-se a olhá-la. “Eu fiz uma pergunta!” exclamou. Eles tremeram, e ela tornou a insistir, “Quem foi o pobre infeliz que fez isto? Juro que se vai arrepender de ter achado que brincar às espadas com a vassoura era uma boa ideia!”
~~
— De certeza que sabes conduzir isto?
Flávia apertou mais as mãos à volta de Hugo. Ele sorriu, mas estava de costas para ela sobre a mota e ela não o viu.
— Sim, de certeza, boneca. — De travão bem preso, ele acelerou um pouco, só para fazer barulho com o motor. Ouviu o guincho dela com prazer e o seu sorriso aumentou. — Estás com medinho? — perguntou. — Se tens medinho, diz-me. Não precisas de vir agora.
Ela mordeu o lábio e apertou-se mais contra ele.
— Claro que não tenho medo! — disse. A sua voz soou surpreendentemente mais firme do que ela estava à espera, e isso agradou aos dois.
Mas Flávia tinha tanto medo que nem sentia as pernas. Apesar de tudo, ela deu por si a incentivá-lo:
— Estás à espera de quê? És tu quem tem medo agora?
Hugo riu-se alto e no momento a seguir a sua risada deixou de se ouvir sobre o som ensurdecedor da mota a arrancar a toda a velocidade.
~~
Já não sei o que mais posso fazer, sabes?” disse Inês. Tinha as sobrancelhas franzidas e a boca contraída numa linha fina. “Tudo me parece tão… estranho,” concluiu. “Não confio em ninguém aqui.”
Sim, eu sei o que queres dizer,” respondeu Rodrigo, pegando na cerveja que tinha sobre a mesa. Fez o líquido girar no seu interior e depois bebeu um gole rápido. “É como se o tempo corresse de forma diferente, não é? As prioridades aqui são diferentes. Mas as pessoas têm-nos ajudado,” concedeu.
Ela suspirou e retrucou, “Esta cidade deixa-me confusa.” Formou-se um beicinho amuado no seu rosto. “Quanto tempo ainda vamos ficar aqui?”
Isso depende.” Rodrigo coçou a sobrancelha direita e pareceu pensativo por um momento. Depois olhou para ela. Não disse nada e tornou a coçar a sobrancelha, com o olhar perdido na parede atrás de Inês. “Isso depende e não é só de nós os dois…”
~~
— Gostas de mim? — perguntou ela. O seu sorriso era confiante. Ela sabia que a resposta seria positiva. Ela só queria torturá-lo por mais um momento.
Ele indicou que sim com um meneio de cabeça.
— Diz-me — insistiu —, gostas realmente de mim?

...


Extras:

1. COMO COLOCAR TRAVESSÕES
Se o vosso teclado tiver o number pad (o “num lock”) do lado direito, é muito simples. Mantenham o dedo sobre a tecla ALT e primam os números 0151. Esse é o código ASCI para o travessão aparecer.
Se tiverem um notebook/computador portátil e ele não tiver o number pad, podem colocar o travessão ao acederem à aba INSERIR do Microsoft Word, acederem a SÍMBOLO e o encontrarem na lista que aparece.
Uma sugestão muito boa é criarem um atalho próprio no programa que usam para escrever para poderem ter o travessão facilmente. O meu atalho é ALT + A. Sempre que eu primo essas teclas, eu coloco um travessão no Word. No Word podem ir a SÍMBOLOS e depois escolher TECLA DE ATALHO para definirem qualquer atalho à escolha para qualquer símbolo que queiram.
Se não tiverem um processador de texto que permita essas edições ou essas inserções de símbolo, podem fazer o que eu faço quando uso o Google docs. Procuro literalmente “travessão Wikipédia” no Google e acedo à página da Wikipédia sobre o travessão. Aí só tenho de copiar o símbolo diretamente da página e colá-lo sempre que precisar de colocar um no texto. Em vez de fazer ALT+A, faço CTRL+V.


...

2. UMA ÚLTIMA DICA SOBRE DIÁLOGOS — O VOCATIVO
Esta dica é um extra. Acrescento-o aqui porque é outro erro grave que incontáveis diálogos nos sites de fanfics têm e que é realmente simples, se quiserem tentar descobrir qual é esse erro.
O vocativo é o que se chama ao “nome” da pessoa com quem estamos a falar.
Se eu me viro para um grupo de pessoas e falo “Gente, socorro!”, esse “gente” é o que eu estou a chamar a esse grupo de pessoas. “Gente” é o vocativo.
Se eu digo “Professor, tenho uma dúvida!”, “professor” é o que eu estou a chamar à pessoa com quem falei. “Professor” é o vocativo da frase.
Se eu digo “Meu amor, podes passar-me o sal?”, “meu amor” é a forma que eu tenho de chamar a pessoa com quem estou a falar, então é o vocativo.
Caso tenham reparado, tudo aquilo que eu identifiquei como vocativo veio entre vírgulas nas frases. É uma regra gramatical muito importante e simples, que basta que interiorizem para não errarem. O vocativo tem sempre de vir entre vírgulas. Ele vem só com uma se estiver encostado ao início ou ao final da frase, mas tem de vir sempre isolado do resto.
Deixo aqui outro mini exemplo de diálogos, mas com alguns vocativos em todas as falas para servir de exemplo:

— Sabes, Pedro, eu detesto o frio…
— Sei sim, Maria, estás sempre a falar disso…
— Estou? Deixa de ser chato, deixa-me em paz, seu… seu chato!
— Eu sou chato? Tu é que és irritante, sua irritante!
— Não sejas mau, irmão, não me quero chatear contigo.
— Nem eu contigo, maninha. Tens razão.
— Vamos fazer as pazes, cabeça de mula?
     — Vamos, ancas de cegonha, vamos…




Agora eu encerro oficialmente este post.
Até o próximo.
Beijos da Ana.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Como escrever um prólogo

O começo de tudo



O prólogo é um elemento bastante comum em livros e também em fanfics, por isso vou falar um pouco sobre ele e aproveitar para esclarecer algumas dúvidas sobre como escrever um prólogo.

Antes, vamos saber o que significa prólogo: a palavra tem origem no latim (prolugus - o que se diz antes) e significa 1) o primeiro ato de um drama em que se representam acontecimentos passados antes da ação principal; 2) testo que acontece a parte principal de uma obra literária; 3) parte inicial de um acontecimento.

O termo foi usado originalmente na tragédia grega, para caracterizar a parte anterior à entrada do coro e da orquestra, na qual se enuncia o tema da peça. Graças a essa ideia de "o que se diz antes", o termo passou a ser usado na teoria narrativa para designar o texto que precede ou apresenta uma obra.
Deste modo, podemos concluir que o prólogo sempre virá antes de qualquer elemento textual da história, por isso muitos autores também o chamam de paratexto. Vale lembrar ainda que prefácio e prelúdio são sinônimos de prólogo. O prefácio, neste caso, também tem um importante papel na relação do autor e do leitor (ou espectador) de uma obra. Sendo uma introdução a ela, se torna um elemento que apresenta não só a obra em si, mas também o olhar que tem o autor sobre ela.

O prólogo pode ou não ser uma parte da história.
Mas como assim?

Bem, o uso mais comum do prólogo é apresentar a história que se pretende contar ao leitor. Lembram-se de "A menina que roubava livros"? No prólogo, Markus Zusak coloca o leitor em contato com a inusitada narradora, mais o mais importante nesse prólogo é que ele dá ao leitor um vislumbre da obra que se segue e do estilo de escrita e narrativa do autor.

Um autor pode usar o prólogo para mostrar uma cena que acontece antes da história propriamente dita começar, e, com isso, causar curiosidade no leitor. Esse tipo de prólogo é muito comum nos livros de Dan Brown. "O Símbolo Perdido" começa exatamente assim, durante um ritual misterioso, o autor nos apresenta ao vilão da história sem, contudo, entrar em muitos detalhes.

Ele também pode mostrar uma cena adiante, uma espécie de clímax para o qual pretende levar sua história, como acontece em Crepúsculo.

Pois bem, meus caros amigos, nos exemplos acima, o prólogo é parte da história, mas nem sempre isso acontece. Há autores que preferem usar esse espaço preliminar para conversar com o leitor. Isso mesmo, uma espécie de tête-a-tête. Um escritor que gosta muito desse tipo de prólogo é o Stephen King. Em vários de seus livros ele usa o prólogo para contar ao Leitor Fiel algo relevante sobre a criação da obra em questão. Nos livros da séria "A Torre Negra", por exemplo, ele divaga tanto sobre o processo de escrita que, quando você vai começar a ler o livro propriamente dito, já se sente íntimo do autor.

Agora que nós já sabemos o que é um prólogo, para que serve e como aparece em uma história, você deve estar se perguntando, como eu escrevo um prólogo para a minha fanfic?

Em primeiro lugar, pondere sobre a relevância deste prólogo para a sua história. Será que ele é mesmo necessário? Lembre-se de que o prólogo é um elemento opcional, logo, se você quer apenas dar um ar profissional à sua fanfic, não vai ficar legal usá-lo.

Segundo, o prólogo não deve ter tratado como o primeiro capítulo da fanfic. Isso pode parecer óbvio depois de tudo que já falei até aqui, mas ainda há muita gente que se confunde e começa a história no prólogo. Isso não deve acontecer. O prólogo é um capítulo extra, deve ter começo, meio e fim determinados. Se você começar uma cena no prólogo, trate de terminá-la, nada de deixar para concluir no capítulo seguinte, com a ilusão de estar criando suspense. E nem pense em colocar a expressão "continua..." no final do seu prólogo. Prólogo não tem continuação.

Terceiro, não escreva a biografia dos seus personagens no prólogo. Você deve apresentar os seus personagens nos capítulos da história, mas também não faça isso como se estivesse respondendo o questionário socioeconômico do Enem.

Mas você disse que o prólogo pode ser usado para apresentar a história.

Sim, amigos, claro que pode, mas mire-se no exemplo do Tio Zusak. Mostre seu personagem em alguma cena que possua significado para a história, mas não necessariamente faça parte dela. Ou ainda uma cena que possa desencadear os acontecimentos que serão o foco da sua história. Por exemplo, suponha que o seu protagonista seja um detetive de polícia e a história será centrada em um dos casos que ele tem que resolver. No prólogo você pode mostrar o momento em que os bandidos estão planejando o assalto.

Quatro, não entregue tudo no prólogo. Lembre-se de que você pode dar uma prévia do que virá, mas não vá mostrar uma cena do seu protagonista morrendo logo no prólogo, muitos leitores não gostam disso.

Finalmente, não escreva um prólogo com muitas palavras. Apesar de não haver um número ideal de páginas/palavras para um prólogo, não é legal fazê-lo muito grande, pois assim você corre o risco de já entrar na história, e vai estar tratando o prólogo como um capítulo normal. Opte por um prólogo enxuto, uma cena curta, mas que seja relevante para a história.

E isso é tudo por este post, espero ter ajudado.
Até o próximo.
Beijos da Ana.