quarta-feira, 22 de julho de 2015

Pronomes reflexivos e pronomes recíprocos

Hoje trago um post falando especificamente sobre pronomes reflexivos e pronomes recíprocos.

Os pronomes reflexivos muitas vezes são negligenciados pelo pouco uso, desconhecimento ou falta de atenção. Como assim?

Pois bem, para iniciarmos, precisamos antes saber qual é a função do pronome reflexivo:

O pronome reflexivo indica que a ação do sujeito nele próprio.

O pronome reflexivo é usado quando quem faz a ação é ao mesmo tempo quem a recebe.

Por exemplo:
Eu me cortei ontem.
Eu cortei. Cortei quem? Eu mesmo.

Encontro sempre por aí algumas situações em que o pronome não é usado por uma questão de oralidade, ou seja, a falta do costume de usá-lo no dia a dia. Veja a seguir:

Eu sentei no banco.
Eles se julgavam.
Eu se machuquei.

Observe os exemplos em que o pronome foi usado foi usado de modo inadequado ou não foi usado. No caso do primeiro, "eu sentei no banco", o correto seria "eu me sentei no banco". No segundo caso, "eles se julgavam", devia ser eles julgavam a si mesmos. E, no último, "eu se machuquei", "eu me machuquei".

Os pronomes reflexivos estão diretamente ligados aos pronomes oblíquos, sendo os átonos:

Eu - Me
Tu - Te
Ele/Ela - Se*
Nós - Nos
Vós - Vos
Eles/Elas - Se*

*a forma do pronome é a mesma na terceira pessoa do singular e na terceira pessoa do plural.

Há também os pronomes reflexivos que acompanham os pronomes oblíquos tônicos. São eles si e consigo (Ele chamou a si mesmo de indulgente. / Preocupe-se consigo mesmo).

Não há segredo. Para descobrir se é necessário ou não o uso do pronome reflexivo, basta analisar o sujeito e o objeto da ação.

Agora falaremos sobre o pronome recíproco.

O pronome recíproco indica ação mútua entro os sujeitos.

No caso do pronome recíproco, uma observação inicial é necessário: todo pronome recíproco é um pronome reflexivo, nem todo pronome reflexivo é um pronome recíproco. Como assim? Eu não entendi. Pois é, parece bastante complicado, mas não é.

Os pronomes reflexivos nos, vos e se, representando as pessoas do plural (nós, vós, eles/elas), aparecem, em algumas circunstâncias, causando ambiguidade. Veja a seguir:

João e Maria enganaram-se.

Há duas interpretações para a sentença acima. Primeira: ambos, João e Maria, cometeram um engano. Segunda: João enganou Maria e Maria enganou João. Diante da ambiguidade, não há um certo ou errado, fica a critério do leitor escolher o significado, o que, na escrita, é fundamental evitar.

Portanto, o correto seria, para a primeira interpretação, "João e Maria enganaram-se a si mesmos", enquanto, na segunda, "João e Maria enganaram-se um ao outro".

é necessário atentar-se sempre à ambiguidade e evitá-lá. Então, se o sujeito e o objeto da ação forem os mesmos e o pronome estiver em alguma das pessoas do plural, você pode estar diante de um caso de pronome recíproco, nesse caso, pode existir mais de um significado para a sua frase.

Mesmo que esses tipos de pronomes estejam caindo em desuso na linguagem coloquial, ainda são imprescritíveis na linguagem culta e fazem muita diferença no sentido de uma sentença.



Espero ter ajudado.
Até o próximo post.
Beijos da Ana.